17 de abril de 2010

O SILÊNCIO

É cada vez mais difícil surpreendê-lo. Ele defende-se (ou
seremos nós que nos defendemos dele?), refugia-se  em
lugares cada vez   mais afastados, inóspitos  por  vezes:
pântanos, grutas abandonadas.



Tudo cresce no silêncio. Tudo cresce em silêncio. Desde
o ácer até à vulgar tradescância. Mas  quem  melhor  se
adapta  são, sem dúvida, os  miosótis. Depois  de alguns
minutos  em silêncio  já  não  te  consegues  mexer, com
receio de os pisares.

Jorge de Sousa Braga

com a devida vénia, de O Poeta Nu, Fenda Edições, Lisboa, 1999

Sem comentários:

Enviar um comentário