17 de julho de 2010

PRIMEIRO POEMA

               «Sem horizonte ou lua, sem vento
                           nem bandeira»
  
                            L. Von Maaske


A palavra, vida inteira, mata.
O seu silêncio não fala nem cala: ri.
Sem antes, nem depois, nem agora.
É o infalável que fala.
Não o ouças: ouve-o.
Oh, falar sem ouvir,
como ri o riso
pleno dos mortos,
os meus e os teus mortos
debaixo de nós!

                                              1991

Manuel António Pina

com a devida vénia, de NENHUMA PALAVRA E NENHUMA LEMBRANÇA, Assírio & Alvim, Setembro de 1999

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