20 de maio de 2010

... dóceis como ópio

não me negues o olhar
agora que já não te consigo ver
os sentidos perderam-se na boca do inferno
na língua de cadáveres esfomeados
penosamente, dóceis como ópio
não rasgues o céu que não te pertence
no brilho que refutas com inglórias
de tudo, que já não te é semelhante,
guarda o fato preto, abutre!
encharca-o de naftalina
quando eu morrer serei as cinzas da tua cegueira,
na garganta do meu silêncio guardarei
os nós do arame farpado dos teus gritos

Conceição Bernardino

mais poemas da autora, aqui

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