19 de janeiro de 2010

O INOMINÁVEL

Nunca
dos nossos lábios aproximaste
o ouvido; nunca
ao nosso ouvido encostaste os lábios;
és o silêncio,
o duro espesso impenetrável
silêncio sem figura.
Escutamos, bebemos o silêncio
nas próprias mãos
e nada nos une
- nem sequer sabemos se tens nome.

Eugénio de Andrade

com a devida vénia, de Ofício de Paciência, Editora Fundação Eugénio de Andrade, Porto, Março de 2002

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