31 de dezembro de 2009

Despedida

Palavras como gestos que apontam o percurso,
inervadas, rápidas, a subtrair ao silêncio.
Palavras que dessoldam segredos,
que desfazem a trama
espessa do medo.
Ligeiras como folhas,
aguçadas como lâminas,
gastos instrumentos
mas chamam a espera, a salvação.
Corrida breve de sílabas, universo
recomposto de lascas,
invólucro, fronteira,
de uma tarefa inacabada.
Mapa, espelho reclinado,
porta entreaberta de um sonho,
e nelas procurar a voz
que finalmente conduza
do nome ao corpo.
Hálito, grito, sussurro,
e nelas reencontrar a marca
leve, apenas o fragmento de um motivo
que ora detém e ora acompanha.
Palavras do regresso no adeus.

Elio Pecora

com a devida vénia, de POEMAS ESCOLHIDOS, Edições Quasi, Setembro de 2008

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