13 de março de 2011

PATRIMÓNIO

Dir-te-ia do primeiro rio,
água escura do açude onde aprendi a nadar,
cheiro acre de sabugueiros
e o afago de ervas na pele,
deitada olhando
folhas secas e cobras de água levadas
pela corrente do verão, sonhando.

Dir-te-ia do rio,
mas a distância existe.
De quanto me acende os dias tão pouco posso contar.
E mingua
no silêncio com o tempo.

Soledade Santos

in Sob os teus pés a terra, Artefacto, Novembro, 2010.

com a devida vénia, de Agio 1, Revista de Literatura, Artefacto, Lisboa, Fevereiro de 2011

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