6 de novembro de 2010

[A razão é incerta, é assim]

A razão é incerta, é assim,
Vá-se lá saber porquê.
                              Todos eles
Se põem a andar
Um  dia destes.
           Chegam
Com as veias dilatadas,
A bem ou a mal
Lá estão,
            ficam
Não poucas vezes em vão,
Agitados e em busca.
                         Arremessando

Frases contra o silêncio,
Discutem com desdém, assim é que é,
Assim é que não é.

Até outra urna se encher,
Sob o céu vazio
Ouve-se um necrológio.

Durs Grünbein

com a devida vénia, de Aos Queridos Mortos, 33 Epitáfios, Editora Angelus Novus, Lda., Coimbra, 2003

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