28 de fevereiro de 2010

há silêncios que nem supões
há uma idade em que os animais
que nos amam ou cremos que
nos amam ou queremos que
nunca nos perdoam o se
a retribuição do amor
ou o reenvio da solidão



há homens que suam fazem
a barba com as águas
das chuvas ininterruptas
lavam os olhos às lágrimas
contínuas acumuladas
e daí as mulheres os amam
daí as mães os esperam
daí só são ingénuos piegas
os homens que não amam



há gaivotas em chamas
despenhando-se no mar
agarradas ao seu cio
voraz viril voador
pois o amor não se diz
e só se faz o amor



Joaquim Castro Caldas



com a devida vénia, de , edições apalavrados

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