23 de janeiro de 2010

SILÊNCIO INTACTO

Sobe até ao cimo da manhã.
É lá que deves esperar-me,
grande intervalo de silêncio
musicado e fresco,
até que eu me liberte
do terror das palavras sedentárias
e aprenda, irmão mais novo dos insectos,
a linguagem perfumada das flores.

Albano Martins

com a devida vénia, de VOCAÇÃO DO SILÊNCIO, Poesia (1950-1985), Prefácio de Eduardo Lourenço, edição da Imprensa Nacional Casa da Moeda, Fevereiro de 1990

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