1 de dezembro de 2009

A chave na porta

estava a chave na porta
e a imagem flutuava na maçaneta.
uma nuvem me adentrou
tua prévia partida.
nas paredes vazias
as janelas cúmplices soltas
num chorrilho de batentes
lancinantes
lascavam vidros
ao vento sul.
senti o corte no ventre
esfriando as entranhas de silêncios
sugando o ser e a memória.

em bátegas fortes a chuva
desce-me pelos ombros
numa vaga de angústia
sacudindo a última viagem
do meu corpo numa lágrima
sem ancoradouro.

resisto... desisto...

Conceição Roque Silveira

retirado, com a devida autorização da autora, de aqui

Sem comentários:

Enviar um comentário