Foi então que vi dois cegos
à espera de um sinal.
Conquistados pelo joio,
não olhavam em redor.
Do mais novo pude ouvir:
"O silêncio de Deus
que se ouvia nos trigais,
ninguém sabe como foi."
Isolados pelo dardo
de Ninguém, duvidosos,
tropeçamos uns nos outros,
não damos com a porta.
José Miguel Silva
com a devida vénia, de ULISSES JÁ NÃO MORA AQUI, &etc, Março de 2002
16/04/2011
09/04/2011
simbiose
as palavras germinam música
a música depura o silêncio
o silêncio é um cristal
envolvendo a respiração do tempo
as palavras ardendo
evaporam o acre perfume
da raiz
a música subindo
faz explodir as corolas
do sublime
e o tempo dobra-se
como o último a saber
os signos do som
a ler toda a página
lavrada de sulcos e selos
seminais
Cláudio Lima
com a devida vénia, de ITINERÂNCIAS, Edição Opera Omnia, Guimarães, Outubro de 2010
a música depura o silêncio
o silêncio é um cristal
envolvendo a respiração do tempo
as palavras ardendo
evaporam o acre perfume
da raiz
a música subindo
faz explodir as corolas
do sublime
e o tempo dobra-se
como o último a saber
os signos do som
a ler toda a página
lavrada de sulcos e selos
seminais
Cláudio Lima
com a devida vénia, de ITINERÂNCIAS, Edição Opera Omnia, Guimarães, Outubro de 2010
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02/04/2011
[Mais incompreensível]
Mais incompreensível
Que a sombra
A luz diáfana
Ou penetrante
Que de onde em onde
O ser inteiro
Recebe
Essa luz nimba
De compaixão
A pergunta imensa
Ferida impossível
De jamais sarar
Ao longe o silêncio
Que reverbera
Maravilhoso
Inatingível
Londres, 24 de Dezembro 1996
Alberto Lacerda
com a devida vénia, de O PAJEM FORMIDÁVEL DOS INDÍCIOS, Assírio & Alvim, Junho 2010
Que a sombra
A luz diáfana
Ou penetrante
Que de onde em onde
O ser inteiro
Recebe
Essa luz nimba
De compaixão
A pergunta imensa
Ferida impossível
De jamais sarar
Ao longe o silêncio
Que reverbera
Maravilhoso
Inatingível
Londres, 24 de Dezembro 1996
Alberto Lacerda
com a devida vénia, de O PAJEM FORMIDÁVEL DOS INDÍCIOS, Assírio & Alvim, Junho 2010
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26/03/2011
O SILÊNCIO E O GRITO
Uma parte de mim
grita
e a outra abusa do silêncio
e a que sabe das duas não distingue
uma
da outra.
Eduarda Chiote
com a devida vénia, de ÓRGÃOS EPISTOLARES, Edições Afrontamento, Porto, Novembro de 2010
grita
e a outra abusa do silêncio
e a que sabe das duas não distingue
uma
da outra.
Eduarda Chiote
com a devida vénia, de ÓRGÃOS EPISTOLARES, Edições Afrontamento, Porto, Novembro de 2010
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13/03/2011
PATRIMÓNIO
Dir-te-ia do primeiro rio,
água escura do açude onde aprendi a nadar,
cheiro acre de sabugueiros
e o afago de ervas na pele,
deitada olhando
folhas secas e cobras de água levadas
pela corrente do verão, sonhando.
Dir-te-ia do rio,
mas a distância existe.
De quanto me acende os dias tão pouco posso contar.
E mingua
no silêncio com o tempo.
Soledade Santos
in Sob os teus pés a terra, Artefacto, Novembro, 2010.
com a devida vénia, de Agio 1, Revista de Literatura, Artefacto, Lisboa, Fevereiro de 2011
água escura do açude onde aprendi a nadar,
cheiro acre de sabugueiros
e o afago de ervas na pele,
deitada olhando
folhas secas e cobras de água levadas
pela corrente do verão, sonhando.
Dir-te-ia do rio,
mas a distância existe.
De quanto me acende os dias tão pouco posso contar.
E mingua
no silêncio com o tempo.
Soledade Santos
in Sob os teus pés a terra, Artefacto, Novembro, 2010.
com a devida vénia, de Agio 1, Revista de Literatura, Artefacto, Lisboa, Fevereiro de 2011
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05/03/2011
32. ELE:
Sei que existes, e nisto se resume
o estar aqui, o persistir nessas tábuas inertes
que já não sei se é o palco da vida.
Sei que existes pessoa, de outro lado
de um lado que não sei;
sei
que existes, talvez carne, ignotos olhos,
manso rio de um silente vulcão
amargurado.
Pedro Tamen
com a devida vénia, de Um Teatro às Escuras, Publicações Dom Quixote, Fevereiro de 2011
o estar aqui, o persistir nessas tábuas inertes
que já não sei se é o palco da vida.
Sei que existes pessoa, de outro lado
de um lado que não sei;
sei
que existes, talvez carne, ignotos olhos,
manso rio de um silente vulcão
amargurado.
Pedro Tamen
com a devida vénia, de Um Teatro às Escuras, Publicações Dom Quixote, Fevereiro de 2011
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20/02/2011
Sem grinalda e sem regresso
A água que me dá sede
não refresca este jardim
é de esperança desesperada
diz mais vezes não que sim
Silêncio e metamorfose
juntam-se batem às portas
do futuro incandescente
neste jardim de horas mortas
À deriva flutuamos
os sonhos vimos ruir
mas na varanda da esperança
um coração vai abrir
Nova onda de igualdade
sem grinalda e sem regresso
cascata branca a sonhar
é o que ao destino peço
2008
Urbano Tavares Rodrigues
com a devida vénia, de Horas de Vidro, Publicações Dom Quixote, Lda., Lisboa, Fevereiro de 2011
não refresca este jardim
é de esperança desesperada
diz mais vezes não que sim
Silêncio e metamorfose
juntam-se batem às portas
do futuro incandescente
neste jardim de horas mortas
À deriva flutuamos
os sonhos vimos ruir
mas na varanda da esperança
um coração vai abrir
Nova onda de igualdade
sem grinalda e sem regresso
cascata branca a sonhar
é o que ao destino peço
2008
Urbano Tavares Rodrigues
com a devida vénia, de Horas de Vidro, Publicações Dom Quixote, Lda., Lisboa, Fevereiro de 2011
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