Uma parte de mim
grita
e a outra abusa do silêncio
e a que sabe das duas não distingue
uma
da outra.
Eduarda Chiote
com a devida vénia, de ÓRGÃOS EPISTOLARES, Edições Afrontamento, Porto, Novembro de 2010
26/03/2011
13/03/2011
PATRIMÓNIO
Dir-te-ia do primeiro rio,
água escura do açude onde aprendi a nadar,
cheiro acre de sabugueiros
e o afago de ervas na pele,
deitada olhando
folhas secas e cobras de água levadas
pela corrente do verão, sonhando.
Dir-te-ia do rio,
mas a distância existe.
De quanto me acende os dias tão pouco posso contar.
E mingua
no silêncio com o tempo.
Soledade Santos
in Sob os teus pés a terra, Artefacto, Novembro, 2010.
com a devida vénia, de Agio 1, Revista de Literatura, Artefacto, Lisboa, Fevereiro de 2011
água escura do açude onde aprendi a nadar,
cheiro acre de sabugueiros
e o afago de ervas na pele,
deitada olhando
folhas secas e cobras de água levadas
pela corrente do verão, sonhando.
Dir-te-ia do rio,
mas a distância existe.
De quanto me acende os dias tão pouco posso contar.
E mingua
no silêncio com o tempo.
Soledade Santos
in Sob os teus pés a terra, Artefacto, Novembro, 2010.
com a devida vénia, de Agio 1, Revista de Literatura, Artefacto, Lisboa, Fevereiro de 2011
Etiquetas:
Soledade Santos
05/03/2011
32. ELE:
Sei que existes, e nisto se resume
o estar aqui, o persistir nessas tábuas inertes
que já não sei se é o palco da vida.
Sei que existes pessoa, de outro lado
de um lado que não sei;
sei
que existes, talvez carne, ignotos olhos,
manso rio de um silente vulcão
amargurado.
Pedro Tamen
com a devida vénia, de Um Teatro às Escuras, Publicações Dom Quixote, Fevereiro de 2011
o estar aqui, o persistir nessas tábuas inertes
que já não sei se é o palco da vida.
Sei que existes pessoa, de outro lado
de um lado que não sei;
sei
que existes, talvez carne, ignotos olhos,
manso rio de um silente vulcão
amargurado.
Pedro Tamen
com a devida vénia, de Um Teatro às Escuras, Publicações Dom Quixote, Fevereiro de 2011
Etiquetas:
Pedro Tamen
20/02/2011
Sem grinalda e sem regresso
A água que me dá sede
não refresca este jardim
é de esperança desesperada
diz mais vezes não que sim
Silêncio e metamorfose
juntam-se batem às portas
do futuro incandescente
neste jardim de horas mortas
À deriva flutuamos
os sonhos vimos ruir
mas na varanda da esperança
um coração vai abrir
Nova onda de igualdade
sem grinalda e sem regresso
cascata branca a sonhar
é o que ao destino peço
2008
Urbano Tavares Rodrigues
com a devida vénia, de Horas de Vidro, Publicações Dom Quixote, Lda., Lisboa, Fevereiro de 2011
não refresca este jardim
é de esperança desesperada
diz mais vezes não que sim
Silêncio e metamorfose
juntam-se batem às portas
do futuro incandescente
neste jardim de horas mortas
À deriva flutuamos
os sonhos vimos ruir
mas na varanda da esperança
um coração vai abrir
Nova onda de igualdade
sem grinalda e sem regresso
cascata branca a sonhar
é o que ao destino peço
2008
Urbano Tavares Rodrigues
com a devida vénia, de Horas de Vidro, Publicações Dom Quixote, Lda., Lisboa, Fevereiro de 2011
Etiquetas:
Urbano Tavares Rodrigues
31/01/2011
[Uma linguagem de súbito imperceptível]
Uma linguagem de súbito imperceptível:
o desenho de uma palavra persegue o tecido frágil da pele.
Inaugura o momento cúmplice.
O corpo respira, atinge o silêncio,
imóvel sob os dedos.
Fernando Esteves Pinto
com a devida vénia, de Área Afectada, Edição: Temas Originais, Lda., Coimbra, 2010
o desenho de uma palavra persegue o tecido frágil da pele.
Inaugura o momento cúmplice.
O corpo respira, atinge o silêncio,
imóvel sob os dedos.
Fernando Esteves Pinto
com a devida vénia, de Área Afectada, Edição: Temas Originais, Lda., Coimbra, 2010
Etiquetas:
Fernando Esteves Pinto
16/01/2011
AS AVES
(Ciclo Terceiro)
4.
O banco pertence-lhes, ali plantam
flores e constroem uma mesa com
jornais. Os pombos aproximam-se
agora dos seus rostos e das mãos,
numa ameaça que leva rapidamente
ao silêncio. Ninguém sabe que
morreram há quatro dias, nem que
os olhos deles se esvaziaram aos
poucos, sugados pelos corvos.
Jaime Rocha
com a devida vénia, de revista criatura, N.º 5 . OUTUBRO . 2010
4.
O banco pertence-lhes, ali plantam
flores e constroem uma mesa com
jornais. Os pombos aproximam-se
agora dos seus rostos e das mãos,
numa ameaça que leva rapidamente
ao silêncio. Ninguém sabe que
morreram há quatro dias, nem que
os olhos deles se esvaziaram aos
poucos, sugados pelos corvos.
Jaime Rocha
com a devida vénia, de revista criatura, N.º 5 . OUTUBRO . 2010
Etiquetas:
Jaime Rocha
10/01/2011
[eis que o silêncio]
eis que o silêncio
assume
a forma do silêncio
eis que a palavra encontra
o seu lugar no muro
oiço o diálogo da terra
com a terra
vejo um frágil arbusto
com o seu nome aceso
no silêncio da terra
António Ramos Rosa
com a devida vénia, de PULSAÇÕES DA TERRA, in Círculo Aberto, Editorial Caminho, SARL, Lisboa, 1979
assume
a forma do silêncio
eis que a palavra encontra
o seu lugar no muro
oiço o diálogo da terra
com a terra
vejo um frágil arbusto
com o seu nome aceso
no silêncio da terra
António Ramos Rosa
com a devida vénia, de PULSAÇÕES DA TERRA, in Círculo Aberto, Editorial Caminho, SARL, Lisboa, 1979
Etiquetas:
António Ramos Rosa
Subscrever:
Mensagens (Atom)