Uma linguagem de súbito imperceptível:
o desenho de uma palavra persegue o tecido frágil da pele.
Inaugura o momento cúmplice.
O corpo respira, atinge o silêncio,
imóvel sob os dedos.
Fernando Esteves Pinto
com a devida vénia, de Área Afectada, Edição: Temas Originais, Lda., Coimbra, 2010
31/01/2011
16/01/2011
AS AVES
(Ciclo Terceiro)
4.
O banco pertence-lhes, ali plantam
flores e constroem uma mesa com
jornais. Os pombos aproximam-se
agora dos seus rostos e das mãos,
numa ameaça que leva rapidamente
ao silêncio. Ninguém sabe que
morreram há quatro dias, nem que
os olhos deles se esvaziaram aos
poucos, sugados pelos corvos.
Jaime Rocha
com a devida vénia, de revista criatura, N.º 5 . OUTUBRO . 2010
4.
O banco pertence-lhes, ali plantam
flores e constroem uma mesa com
jornais. Os pombos aproximam-se
agora dos seus rostos e das mãos,
numa ameaça que leva rapidamente
ao silêncio. Ninguém sabe que
morreram há quatro dias, nem que
os olhos deles se esvaziaram aos
poucos, sugados pelos corvos.
Jaime Rocha
com a devida vénia, de revista criatura, N.º 5 . OUTUBRO . 2010
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Jaime Rocha
10/01/2011
[eis que o silêncio]
eis que o silêncio
assume
a forma do silêncio
eis que a palavra encontra
o seu lugar no muro
oiço o diálogo da terra
com a terra
vejo um frágil arbusto
com o seu nome aceso
no silêncio da terra
António Ramos Rosa
com a devida vénia, de PULSAÇÕES DA TERRA, in Círculo Aberto, Editorial Caminho, SARL, Lisboa, 1979
assume
a forma do silêncio
eis que a palavra encontra
o seu lugar no muro
oiço o diálogo da terra
com a terra
vejo um frágil arbusto
com o seu nome aceso
no silêncio da terra
António Ramos Rosa
com a devida vénia, de PULSAÇÕES DA TERRA, in Círculo Aberto, Editorial Caminho, SARL, Lisboa, 1979
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01/01/2011
Escuto
Escuto mas não sei
Se o que oiço é silêncio
Ou deus
Escuto sem saber se estou ouvindo
O ressoar das planícies do vazio
Ou a consciência atenta
Que nos confins do universo
Me decifra e fita
Apenas sei que caminho como quem
É olhado amado e conhecido
E por isso em cada gesto ponho
Solenidade e risco
Sophia de Mello Breyner Andresen
com a devida vénia, de CEM POEMAS DE SOPHIA, Selecção e introdução de José Carlos de Vasconcelos, Edição Visão / JL, Agosto de 2004
Se o que oiço é silêncio
Ou deus
Escuto sem saber se estou ouvindo
O ressoar das planícies do vazio
Ou a consciência atenta
Que nos confins do universo
Me decifra e fita
Apenas sei que caminho como quem
É olhado amado e conhecido
E por isso em cada gesto ponho
Solenidade e risco
Sophia de Mello Breyner Andresen
com a devida vénia, de CEM POEMAS DE SOPHIA, Selecção e introdução de José Carlos de Vasconcelos, Edição Visão / JL, Agosto de 2004
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24/12/2010
Octavio Paz - "SILÊNCIO"
Assim como do fundo da música
brota uma nota
que enquanto vibra cresce e se adelgaça
até que outra música emudece,
brota do fundo do silêncio
outro silêncio, aguda torre, espada,
e sobe e cresce e nos suspende
e enquanto sobe caem
recordações, esperanças,
as pequenas mentiras e as grandes,
e queremos gritar e na garganta
o grito se desvanece:
desembocamos no silêncio
onde os silêncios emudecem.
Octavio Paz
com a devida vénia, de Antologia Poética [1935-1987], Organização e tradução de Luís Pignatelli, Círculo de Leitores, Março de 1991
brota uma nota
que enquanto vibra cresce e se adelgaça
até que outra música emudece,
brota do fundo do silêncio
outro silêncio, aguda torre, espada,
e sobe e cresce e nos suspende
e enquanto sobe caem
recordações, esperanças,
as pequenas mentiras e as grandes,
e queremos gritar e na garganta
o grito se desvanece:
desembocamos no silêncio
onde os silêncios emudecem.
Octavio Paz
com a devida vénia, de Antologia Poética [1935-1987], Organização e tradução de Luís Pignatelli, Círculo de Leitores, Março de 1991
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18/12/2010
O SILÊNCIO
Dos corpos esgotados que silêncio
tão apaziguador se levantava!
(Tinha uma rosa triste nos cabelos,
uma sombra na túnica de luz...)
Para o fundo das almas caminhava,
devagar, o sonâmbulo silêncio.
(Que apertados anéis nos braços nus!)
Mas o silêncio vinha desprendê-los.
David Mourão-Ferreira
com a devida vénia, de OBRA POÉTICA, 1948-1988, Editorial Presença, Lda., Lisboa, Maio, 1997
tão apaziguador se levantava!
(Tinha uma rosa triste nos cabelos,
uma sombra na túnica de luz...)
Para o fundo das almas caminhava,
devagar, o sonâmbulo silêncio.
(Que apertados anéis nos braços nus!)
Mas o silêncio vinha desprendê-los.
David Mourão-Ferreira
com a devida vénia, de OBRA POÉTICA, 1948-1988, Editorial Presença, Lda., Lisboa, Maio, 1997
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12/12/2010
O silêncio
Das matérias invisíveis
o silêncio
é das que mais corrompem
a textura dos dias
e amedrontam
a imobilidade das pedras.
Sandra Costa
com a devida vénia, de Di Versos 8, Revista Semestral de Poesia e Tradução, Edições Sempre-em-Pé, Outono de 2004
o silêncio
é das que mais corrompem
a textura dos dias
e amedrontam
a imobilidade das pedras.
Sandra Costa
com a devida vénia, de Di Versos 8, Revista Semestral de Poesia e Tradução, Edições Sempre-em-Pé, Outono de 2004
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