pássaros calmos.
no campo onde habitaram as guerras
há só silêncio.
os mortos crepitam numa outra dimensão.
sangue, és um maestro de flores cansadas
mendigando às flautas
sopros de serenidade
este campo é um quintal denso
poético
onde pela manhã
os pássaros
convocam
a bruma.
Ondjaki
com a devida vénia, de DENTRO DE MIM FAZ SUL SEGUIDO DE ACTO SANGUÍNEO, Editorial Caminho - 2010
12/10/2010
09/10/2010
OLHO O ANIMAL
nem sempre é fácil
olhar o animal
mesmo que ele te olhe
sem medo ou ódio
fá-lo tão fixamente
que parece desdenhar
o seu subtil segredo
parece ser melhor sentir
a evidência do mundo
que noite e dia ruidosamente
perfura e corrói
o silêncio da alma
Jean Follain
(trad. Jorge Sousa Braga)
com a devida vénia, de ANIMAL ANIMAL um bestiário poético, organização de Jorge Sousa Braga, Assírio & Alvim, Fevereiro 2005
olhar o animal
mesmo que ele te olhe
sem medo ou ódio
fá-lo tão fixamente
que parece desdenhar
o seu subtil segredo
parece ser melhor sentir
a evidência do mundo
que noite e dia ruidosamente
perfura e corrói
o silêncio da alma
Jean Follain
(trad. Jorge Sousa Braga)
com a devida vénia, de ANIMAL ANIMAL um bestiário poético, organização de Jorge Sousa Braga, Assírio & Alvim, Fevereiro 2005
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07/10/2010
SEM OUTRO INTUITO
Atirávamos pedras
à água para o silêncio vir à tona.
O mundo, que os sentidos tonificam,
surgia-nos então todo enterrado
na nossa própria carne, envolto
por vezes em ferozes transparências
que as pedras acirravam
sem outro intuito além do de extraírem
às águas o silêncio que as unia.
Luís Miguel Nava
com a devida vénia, de VULCÃO, Quetzal Editores, Lisboa/1995
à água para o silêncio vir à tona.
O mundo, que os sentidos tonificam,
surgia-nos então todo enterrado
na nossa própria carne, envolto
por vezes em ferozes transparências
que as pedras acirravam
sem outro intuito além do de extraírem
às águas o silêncio que as unia.
Luís Miguel Nava
com a devida vénia, de VULCÃO, Quetzal Editores, Lisboa/1995
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05/10/2010
CAPELA DOS OSSOS
Junto à porta e ao sol excessivo
de Maio, um velado mendigo
informou-nos que tínhamos de virar
à direita. Depois, na capela, "uma voz"
nos conduziria. Ao vê-lo desdobrar
eloquentemente o boné, deixei cair
uma moeda com a efígie do rei de Espanha.
À direita, frágil negação da morte,
cresciam flores em desordem
e voltámos a pagar para ver
os ossos que nos esperam,
sobrepostos como os dias e as noites
que tão pouco vivemos.
A prometida "voz" não passava afinal
de uma gravação em várias línguas
para gáudio de turistas. E o fundo musical,
infelizmente, ficava demasiado aquém
de Zelenka, Charpentier ou Frei Manuel Cardoso.
Mas tudo preferimos ao silêncio, à certeza de que
os mortos nada têm a dizer aos mortos.
Manuel de Freitas
com a devida vénia, de A FLOR DOS TERRAMOTOS, Averno, 2005
de Maio, um velado mendigo
informou-nos que tínhamos de virar
à direita. Depois, na capela, "uma voz"
nos conduziria. Ao vê-lo desdobrar
eloquentemente o boné, deixei cair
uma moeda com a efígie do rei de Espanha.
À direita, frágil negação da morte,
cresciam flores em desordem
e voltámos a pagar para ver
os ossos que nos esperam,
sobrepostos como os dias e as noites
que tão pouco vivemos.
A prometida "voz" não passava afinal
de uma gravação em várias línguas
para gáudio de turistas. E o fundo musical,
infelizmente, ficava demasiado aquém
de Zelenka, Charpentier ou Frei Manuel Cardoso.
Mas tudo preferimos ao silêncio, à certeza de que
os mortos nada têm a dizer aos mortos.
Manuel de Freitas
com a devida vénia, de A FLOR DOS TERRAMOTOS, Averno, 2005
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03/10/2010
[Como quem]
Como quem
no silêncio concebe
o espaço
para um filho
- assim te vejo, assim
te quero
e louvo
e invoco
e te perfilho.
Albano Martins
com a devida vénia, de TRÊS POEMAS DE AMOR SEGUIDOS DE LIVRO QUARTO, prefácio de Luís Carlos Adriano, Quasi Edições, Fevereiro de 2004
no silêncio concebe
o espaço
para um filho
- assim te vejo, assim
te quero
e louvo
e invoco
e te perfilho.
Albano Martins
com a devida vénia, de TRÊS POEMAS DE AMOR SEGUIDOS DE LIVRO QUARTO, prefácio de Luís Carlos Adriano, Quasi Edições, Fevereiro de 2004
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29/09/2010
LEGADO
Gosta do silêncio que esconde os livros e obrigará a redescobri-los nas
margens do esquecimento.
José Amaro Dionísio
com a devida vénia, de Telhados de Vidro, N.º 14 . Setembro . 2010
margens do esquecimento.
José Amaro Dionísio
com a devida vénia, de Telhados de Vidro, N.º 14 . Setembro . 2010
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25/09/2010
OS SILÊNCIOS
Não entendo os silêncios
que tu fazes
nem aquilo que espreitas
só comigo
Se escondes a imagem
e a palavra
e adivinhas aquilo que não
digo
Se te calas
eu oiço e eu invento
Se tu foges
eu sei, não te persigo
Estendo-te as mãos
dou-te a minha alma
e continuo a querer
ficar contigo
Maria Teresa Horta
com a devida vénia, de Só de Amor, Publicações Dom Quixote, Lisboa, Março de 2009
que tu fazes
nem aquilo que espreitas
só comigo
Se escondes a imagem
e a palavra
e adivinhas aquilo que não
digo
Se te calas
eu oiço e eu invento
Se tu foges
eu sei, não te persigo
Estendo-te as mãos
dou-te a minha alma
e continuo a querer
ficar contigo
Maria Teresa Horta
com a devida vénia, de Só de Amor, Publicações Dom Quixote, Lisboa, Março de 2009
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