Quando a pátria que temos não a temos
Perdida por silêncio e por renúncia
Até a voz do mar se torna exílio
E a luz que nos rodeia é como grades
Sophia de Mello Breyner
com a devida vénia, de GRADES, Publicações Dom Quixote, Novembro de 1970
03/10/2009
23/09/2009
CANTIGA FRIA
Envolve chuva nova, chuva
viva, chuva de nuvem nascida,
com as tuas palavras
a água em
chamas
Apaga chuva fina
a palavra
rendida
ao silêncio, à surdina
Gastão Cruz
com a devida vénia, de CRATERAS, Assírio & Alvim, Outubro de 2000
viva, chuva de nuvem nascida,
com as tuas palavras
a água em
chamas
Apaga chuva fina
a palavra
rendida
ao silêncio, à surdina
Gastão Cruz
com a devida vénia, de CRATERAS, Assírio & Alvim, Outubro de 2000
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12/09/2009
SILÊNCIO
Conheço uma cidade
que cada dia se enche de sol
e tudo desaparece num momento
Cheguei lá quase à noite
No coração durava o ruído
das cigarras
Do navio
envernizado de branco
eu vi
a minha cidade perder-se
deixando
um pouco
um abraço de lumes no ar indeciso
suspensos
Giuseppe Ungaretti
com a devida vénia, de Sentimento do Tempo, Publicações D. Quixote, Fevereiro de 1971
que cada dia se enche de sol
e tudo desaparece num momento
Cheguei lá quase à noite
No coração durava o ruído
das cigarras
Do navio
envernizado de branco
eu vi
a minha cidade perder-se
deixando
um pouco
um abraço de lumes no ar indeciso
suspensos
Giuseppe Ungaretti
com a devida vénia, de Sentimento do Tempo, Publicações D. Quixote, Fevereiro de 1971
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31/08/2009
[com as palmas abertas]
com as palmas abertas
com a frescura de uma chama branca
com o ouvido atento às zonas verdes
com as raízes vermelhas da montanha
com as amendoeiras da inocência vegetal
com o sangue da terra e o sol estilhaçado
hei-de criar as árvores do meu canto
e erguer a delicada urgências dos dóceis animais
que pisam um solo de veias e de pequenas proas
e no fundo das pupilas há-de vibrar a água viva
das constelações lisas de olhos claros
a arqueada espada dos pássaros de pão
a antiga e clara rosácea do meio-dia
os vasos de veludo de um silêncio de neve absoluta
um caminho de sangue num calendário calcinado
António Ramos Rosa
in Pólen-Silêncio, Editora Limiar, Abril de 1992
com a frescura de uma chama branca
com o ouvido atento às zonas verdes
com as raízes vermelhas da montanha
com as amendoeiras da inocência vegetal
com o sangue da terra e o sol estilhaçado
hei-de criar as árvores do meu canto
e erguer a delicada urgências dos dóceis animais
que pisam um solo de veias e de pequenas proas
e no fundo das pupilas há-de vibrar a água viva
das constelações lisas de olhos claros
a arqueada espada dos pássaros de pão
a antiga e clara rosácea do meio-dia
os vasos de veludo de um silêncio de neve absoluta
um caminho de sangue num calendário calcinado
António Ramos Rosa
in Pólen-Silêncio, Editora Limiar, Abril de 1992
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02/08/2009
[Casimiro de Brito, in Da Frágil Sabedoria]
O aforismo é um quase silêncio; uma pegada de gaivota
na areia da manhã.
Casimiro de Brito
in Da Frágil Sabedoria, Quasi Edições, Outubro de 2001
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09/06/2009
[Casimiro de Brito, "SILÊNCIO"]
SILÊNCIO
Beberam
Silêncio
Oxalá tivessem
Visitado
suas florestas de
Primavera
Casimiro de Brito
em Ode & Ceia, Poesia 1955-1984, Publicações D. Quixote, Lisboa, 1985
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06/04/2009
VOZ SOBRE NÓS
Do incerto silêncio foge a voz
que ainda sonha sem forma e limite
a voz interna que, poeta, e só, respira
Lá onde a encontrei
elipses cortes contrações espasmos
Além da página
no chão limite
caiu-me esquiva a voz
De quando em quando
manhã em luz entardecida foge
De quando em quando
fogem as mãos do barro com espanto
(com falso espanto - lá - e só - a li)
Marco Aqueiva
(poema inédito)
que ainda sonha sem forma e limite
a voz interna que, poeta, e só, respira
Lá onde a encontrei
elipses cortes contrações espasmos
Além da página
no chão limite
caiu-me esquiva a voz
De quando em quando
manhã em luz entardecida foge
De quando em quando
fogem as mãos do barro com espanto
(com falso espanto - lá - e só - a li)
Marco Aqueiva
(poema inédito)
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