29 de novembro de 2009

CALIGRAFIA

Papéis de seda
Imploram a luz da palavra
E os meus olhos acendem
Milhões de lamparinas
Opala
Zarcão
Carmim
Cores raras
Como rastro de estrelas.
Acende um poema
Na minha vida parca
Dedilha essa andaluz guitarra
Quando o silêncio for o ápice.

Um som, um rumor
De cascos alucinados
Um toque na madeira
Assim anunciada a palavra
Desenha emaranhado de letras
Fios de âmbar
Esquece sedas ao canto
Dedos de esmeralda
A mão fria
De escrever as dores
Na brancura do sal.
O olhar do tigre
O toque da ternura
A asa
Palavras são setas de estrelas
Cortando o céu.
Escultura forjada
Sob o látego da noite
Um insone poema,
Caligrafia de lua.

Sandra Fonseca

retirado, com a devida autorização da autora, de aqui

22 de novembro de 2009

ORAÇÃO

O vinho tinto do teu desejo.
O pão dourado da tua paz.
A água límpida do teu silêncio.
Amém.

Júlio Saraiva

retirado, com a devida autorização do autor, de aqui

7 de novembro de 2009

AUSÊNCIA

Quando a minha voz
se fizer
ausência, entenda o silêncio
como prova da verdade.


         Arrume as palavras deixadas
         entre folhas, faça frases
         e desordene os parágrafos.


A minha voz ausente
estará diante
do esforço. Concentre sua hora
na descoberta dos traços.


Risque as letras e deixe em branco
a parte inferior do silêncio.


Pedro Du Bois


(Poema inédito). Outros poemas do autor aqui

2 de novembro de 2009

SCRIPTOR - 1

uma janela abre-se sobre a mesa
enquanto a mão molda o verbo

ou tece
uma ave em chama
voando rente ao silêncio

Xavier Zarco

retirado, com a devida autorização do autor, de aqui